A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)

O que é a DPOC?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é a terceira causa de morte no mundo, superada apenas pelas doenças cardíacas isquémicas e pelo acidente vascular cerebral. É uma doença de evolução lenta e progressiva que se caracteriza, sobretudo, pela dificuldade em libertar o ar dos pulmões, devido a um estreitamento das vias aéreas e/ou destruição dos alvéolos pulmonares, fazendo com que seja difícil respirar. 

A DPOC é uma doença que tende a agravar-se caso não seja devidamente tratada, prejudicando a qualidade de vida dos pacientes.

As principais causas da DPOC são a bronquite crónica e o enfisema pulmonar. Geralmente, estas doenças ocorrem em simultâneo e são, sobretudo, provocadas pela exposição contínua a gases irritantes, sendo o fumo do cigarro o elemento mais comum e importante.

A bronquite crónica caracteriza-se pela inflamação das vias aéreas (brônquios) e manifesta-se geralmente pela tosse e expetoração, podendo agravar-se para uma limitação do fluxo de ar que causa dificuldade respiratória.

O enfisema caracteriza-se pela destruição dos alvéolos pulmonares, que são os pequenos sacos existentes no final das vias aéreas onde ocorrem as trocas de oxigénio e dióxido de carbono, e manifesta-se sobretudo pela dificuldade respiratória.

Com base num estudo feito na região de Lisboa, estima-se que a DPOC afeta cerca de 800 mil pessoas em Portugal, sendo que 1 em cada 7 portugueses com mais de 40 anos sofre de DPOC e 1 em cada 14 portugueses tem uma DPOC moderada, grave ou muito grave.

Quais os sintomas da DPOC?

  • Tosse crónica, frequentemente acompanhada de expetoração.
  • Falta de ar (dispneia) em tarefas simples de instalação progressiva. 
  • Sensação de “peito apertado”.
  • Sibilância ou pieira ao respirar, tanto em repouso como em atividade (exercício físico, subir escadas).
  • Cansaço excessivo, falta de energia.
  • Infeções respiratórias frequentes.
  • Perda de peso não intencional (em fases avançadas da doença).
  • Inchaço nos tornozelos, pés ou pernas.
  • Coloração azulada nas extremidades dos dedos.

 

Muitas vezes, os sintomas da DPOC só são valorizados depois de ocorrerem lesões pulmonares significativas. Estes sintomas tendem a agravar-se com a manutenção dos fatores de risco, nomeadamente continuar a fumar.

Nas fases mais avançadas da doença, podem ocorrer com alguma frequência, agravamento dos sintomas como o aumento da falta de ar (mesmo em repouso) e da tosse, com ou sem expetoração. Estas crises podem levar ao aparecimento ou agravamento de uma insuficiência respiratória, com diminuição acentuada do oxigénio e/ou aumento do dióxido de carbono. 

A DPOC é muitas vezes diagnosticada durante uma dessas crises, designadas como exacerbações. 

Se reconhece um ou mais destes sintomas e, sobretudo, se é fumador ou se já fumou, consulte o seu médico. Poderá ser DPOC ou poderá ser outra doença, mas só o seu médico poderá avaliar. 

 

Tenha em atenção que os não fumadores podem também sofrer de DPOC

A DPOC e as outras doenças

Os doentes com DPOC têm maior risco de serem afetados ou sofrerem de outras doenças chamadas comorbilidades. Estas doenças podem partilhar fatores de risco comuns, como o tabagismo, e contribuem para o agravamento da doença.

Comorbilidades frequentes incluem doenças cardiovasculares, ansiedade e depressão, osteoporose, disfunção muscular, refluxo gastroesofágico, cancro do pulmão, diabetes.

 

 Quais são os fatores de risco para a DPOC?

A DPOC é causada por fatores que desencadeiam a inflamação e a destruição dos pulmões. O tabaco é o poluente que afeta com mais frequência os pulmões e é a principal causa da DPOC. 

 

Cerca de 40-50% dos fumadores ao longo da vida irão desenvolver DPOC, em comparação com 10% das pessoas que nunca fumaram.

 

Com o avançar da idade, ocorre uma diminuição normal da função respiratória. O fumo do tabaco vai acelerar este declínio. Se deixar de fumar, este declínio pode ser reduzido, evitando-se o agravamento da função respiratória.

Existem outros fatores que podem aumentar o risco de DPOC ou contribuir para o seu agravamento, como:

  • Exposição a poeira, gases e produtos químicos relacionados com certas atividades profissionais
  • Exposição a fumos como, por exemplo, lareiras ou cozinhar a carvão em locais pouco ventilados
  • Fumadores passivos
  • Componente genética (alguns genes podem condicionar maior suscetibilidade de desenvolver DPOC)
  • Poluição do ar 

Como se diagnostica a DPOC?

O seu médico pneumologista irá analisar os seus sinais e sintomas e avaliar os seus antecedentes familiares e comportamentais – em especial, em relação ao fumo do tabaco – e solicitar a realização de alguns exames.
Um dos exames mais frequentes, consiste num exame respiratório, chamado espirometria, um teste de diagnóstico simples, indolor, não invasivo e eficaz que pode ser feito, num hospital, num centro de saúde ou numa clínica. Este teste envolve inspirar e expirar para um equipamento, para medir a quantidade de ar que entra e sai dos seus pulmões e qual a facilidade em eliminar o ar.
Para além da espirometria, a avaliação da sua função respiratória pode ser complementada com testes adicionais. Caso o seu médico necessite de realizar uma avaliação mais completa, poderá solicitar ainda outros exames, tais como: raio-X do tórax, TAC, avaliação da função cardíaca, análises sanguíneas e gasometria arterial, entre outros.

Existe cura para a DPOC?

Não há cura para a DPOC, mas existem tratamentos com o objetivo de controlar a sua evolução, aliviar os sintomas, diminuir a degradação da sua qualidade de vida, reduzir o risco de crises e a mortalidade. 

A prevenção da exposição a fatores de risco e de complicações associadas à doença é fundamental no controlo da DPOC. Para isso deverá:

  • Deixar de fumar e evitar locais onde outros fumam
  • Reduzir a exposição à poluição do ar interior e exterior
  • Praticar atividade física regular adaptada à sua condição
  • Beber água de forma abundante
  • Manter um peso adequado
  • Adotar uma alimentação adequada e equilibrada
  • Fazer anualmente a vacinação contra a gripe
  • Fazer a vacinação contra a pneumonia pneumocócica

A DPOC envolve a atenção de vários especialistas médicos e requer a coordenação de diferentes profissionais de saúde, bem como do setor social.

Quais são os tipos de tratamento da DPOC?

Como em qualquer outra doença, os tratamentos dependem sempre das queixas e da gravidade da doença de cada indivíduo.

Nos casos mais ligeiros, a alteração dos comportamentos poderá ser suficiente para travar a evolução da doença, enquanto nos casos mais graves existem terapêuticas que permitem controlar os sintomas, diminuir o risco de complicações e melhorar a qualidade de vida.
A medida mais importante é deixar de fumar. Se ainda fuma, é fundamental que deixe de fumar para impedir a progressão desta doença. Pode não ser fácil abandonar este hábito, mas com a ajuda do seu médico poderá aceder a consultas específicas para deixar de fumar,  poderá utilizar substitutos da nicotina ou tomar outros medicamentos que vão ajudar. 
Existem vários medicamentos que são utilizados para tratar os sintomas e as exacerbações da DPOC. Alguns são tomados regularmente e outros conforme a necessidade. O tratamento com inaladores, muitas vezes referidos como “bombas” (broncodilatadores e anti-inflamatórios), é utilizado com o objetivo de dilatar os brônquios e reduzir a inflamação, aliviar a tosse e a falta de ar, bem como prevenir o risco de crises da doença.
Também podem ser adotados programas de reabilitação respiratória. Geralmente, estes programas combinam fisioterapia, educação e aconselhamento  sobre como lidar com a doença e orientação nutricional. Será um trabalho conjunto com diversos profissionais de saúde, que podem adaptar o seu programa de reabilitação de acordo com as suas necessidades.
Na DPOC moderada a grave, a quantidade de oxigénio que passa dos pulmões para o sangue diminui. Neste caso, a oxigenoterapia domiciliária irá reduzir o risco de mortalidade associada a esta doença e ajudar a aliviar a falta de ar através da melhoria da quantidade de oxigénio no sangue. Existem vários dispositivos que fornecem oxigénio suplementar, incluindo unidades leves e portáteis que pode transportar consigo.

Saiba mais sobre o tratamento com oxigenoterapia

Em alguns pacientes com DPOC grave, a quantidade de dióxido de carbono presente no sangue pode aumentar devido à incapacidade dos pulmões procederem à sua eliminação corretamente. Nestes casos, a ventiloterapia domiciliária irá ajudar a respirar melhor e a diminuir o nível de dióxido de carbono no sangue.

Saiba mais sobre o tratamento com ventiloterapia

Como viver com a DPOC?

Para além do tratamento clínico, existem hábitos que podem ser adotados para se sentir melhor e travar a evolução da doença, nomeadamente:

  • Controlo da respiração: existem posições respiratórias, técnicas de conservação de energia e de relaxamento que podem ajudar a diminuir a sensação de falta de ar. 
  • Limpeza das vias respiratórias: para ajudar na eliminação da expetoração, poderá aplicar técnicas de tosse controlada e, extremamente importante, beber muita água. 
  • Exercício regular: manter a atividade física é muito importante, porque melhora o estado muscular de todo o corpo, fortalece os músculos respiratórios, melhora a sua autonomia e a sua disposição psicológica. Vai sentir-se menos cansado e mais confiante.
  • Alimentação saudável: uma dieta saudável e equilibrada é fundamental. No caso da DPOC, torna-se ainda mais importante pois, quer registe baixo peso ou excesso de peso, poderá ter um contributo significativo na melhoria da sua qualidade de vida.
  • Evitar a poluição e o fumo: a poluição do ar é prejudicial para os pulmões. Preste atenção às recomendações dadas pelas autoridades quanto à qualidade do ar e evite deslocações ao ar livre em alturas e locais de maior poluição. Deixe de fumar e evite também os locais onde é permitido fumar.
  • Consultar o médico regularmente: não falte às suas consultas, mesmo que se sinta bem. Informe o seu médico se sentir um agravamento dos sintomas ou se notar sinais de infeção.

Viver com Oxigénio

O oxigénio é o combustível do corpo e precisa de estar continuamente disponível. Os órgãos e os músculos necessitam de oxigénio para funcionar e eliminam o dióxido de carbono como resíduo.

O oxigénio é essencial à vida…

Fontes

Este conteúdo, é de natureza geral e apenas para fins informativos e não é um substituto para aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Consulte sempre o seu médico com quaisquer perguntas que possa ter sobre uma condição de saúde, procedimento ou tratamento médico.

Website da Mayo Clinic - COPD acedido em: 27-05-2022

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/copd/symptoms-causes/syc…

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/copd/diagnosis-treatment…

Website da European Lung Foundation - DPOC acedido em 27-05-2022

https://europeanlung.org/pt-pt/information-hub/lung-conditions/dpoc/   

Website da COPD Foundation acedido em 27-05-2022

https://www.copdfoundation.org/What-is-COPD/Understanding-COPD/What-is-…

Website do National Heart, Lung, and Blood Institute (NIH) acedido em: 27-05-2022

https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd

Website World Health Organization - COPD acedido em: 27-05-2022

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/chronic-obstructive-pu…-(copd)

American Thoracic Society – Oxygen Therapy Patient Education (2016)

Disponível em: https://www.thoracic.org/patients/patient-resources/resources/oxygen-th…