Já ouviu falar da apneia do sono?

É um dos distúrbios respiratórios do sono mais comuns. Em Portugal, poderá afetar cerca de 950.000 pessoas, com idades compreendidas entre os 30 e os 69 anos.

Embora por vezes seja desvalorizada, é uma doença grave, com consequências que se refletem na qualidade de vida e na produtividade laboral. Pode interferir com outras doenças que possa sofrer e originar acidentes rodoviários e laborais, com consequências graves que podem resultar em ferimentos ou mesmo na morte.

A maioria das pessoas não imagina que as suas queixas possam estar relacionadas com este problema médico.

O que é a Apneia do Sono ?

A apneia do sono caracteriza-se por uma respiração anormal enquanto dorme, provocada por pausas ou diminuições involuntárias e repetidas da respiração durante o sono.
 

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é a forma mais comum desta doença respiratória e é provocada por uma obstrução da via aérea devido ao relaxamento excessivo dos músculos da garganta/faringe durante o sono.

Como o fluxo de ar que vai para os pulmões é obstruído ou reduzido, causa vibrações que provocam o ressonar durante o sono e uma diminuição dos níveis de oxigénio no sangue. O cérebro percebe essa falta de oxigénio e, para restaurar a respiração, responde com "microdespertares" breves, repentinos e impercetíveis pelo paciente, que podem ser acompanhados pelo chamado “ronco ressuscitador”. A ocorrência repetida destes “microdespertares” causa perturbações evidentes na qualidade do sono, fazendo com que este não seja reparador.

 

Quem pode sofrer de Apneia Obstrutiva do Sono?

Existem vários fatores que podem contribuir para a maior probabilidade de contrair esta doença, sendo a obesidade o mais importante. Contudo, as pessoas com um peso normal também podem ser afetadas por esta doença. 

A idade é outro fator, sendo mais comum entre os idosos, com um aumento da incidência até cerca dos 70 anos. Os homens também são mais propícios à doença do que as mulheres antes da menopausa.

Existem ainda características físicas, como pescoço largo, queixo pequeno, língua grande e amígdalas aumentadas que potenciam um maior risco de desenvolver a apneia do sono.

Alguns comportamentos sociais, como a ingestão de bebidas alcoólicas e o tabagismo, bem como o recurso a medicação para dormir, podem contribuir para esta doença.

 

O ressonar alto é um dos sinais geralmente associados à apneia do sono, apesar de nem todos os ressonadores sofrerem de apneia. Para muitos destes pacientes, o primeiro sinal de alerta surge quando o seu parceiro (ou parceira) reclama do seu roncar durante a noite, ou quando se percebe que fica ofegante ou respira de maneira anormal e, por isso, também passa a ter um sono agitado. Além destes sintomas mais gerais, existem outros que acabam por influenciar a qualidade do seu sono e, consequentemente, a sua atividade diária.

   

Sintomas noturnos

  • Ressonar alto ou de forma irregular
  • Respiração ofegante durante o sono
  • Pausas respiratórias
  • Despertar com a sensação de asfixia
  • Ter um sono agitado
  • Ter sonhos vívidos ou assustadores
  • Ter refluxo gastroesofágico noturno, vulgarmente conhecido como azia
  • Ter insónia e/ou despertares frequentes
  • Ter necessidade de urinar diversas vezes durante a noite
  • Ter hipersalivação e bruxismo (ranger os dentes)
  • Ocorrer transpiração noturna exagerada

Sintomas diurnos

Durante o dia, o sinal mais comum é a sonolência excessiva, que leva muitas vezes ao consumo de vários cafés ou a adormecer subitamente nas mais diversas situações, como transportes ou salas de espera.

Outros sintomas diurnos:

  • Sensação de sono não reparador ao acordar
  • Necessidade de fazer uma sesta durante o dia
  • Dificuldades de concentração ou diminuição da memória
  • Nível de cansaço injustificado
  • Alterações do humor, com maior irritabilidade
  • Dores de cabeça matinais
  • Tonturas
  • Acordar com a boca seca
  • Menor tolerância ao exercício físico
  • Diminuição do apetite sexual ou impotência

Complicações da apneia obstrutiva do sono com outras doenças

A apneia do sono associa-se e pode ter impacto em diversas doenças, designadas comorbilidades.

Vários estudos têm constatado que a apneia do sono se associa, frequentemente, a outras doenças, podendo provocar algumas complicações nas doenças cardiovasculares (hipertensão arterial; doença cardíaca isquémica; arritmias; AVC), na diabetes e na ansiedade ou depressão.

Se não tratada, a resposta do organismo ao distúrbio do sono e à diminuição de oxigénio no sangue pode agravar o controlo destas doenças, com risco de complicações a longo prazo, e ser a causa do aumento do risco de morte.

 

Fontes

Este conteúdo, é de natureza geral e apenas para fins informativos e não é um substituto para aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Consulte sempre o seu médico com quaisquer perguntas que possa ter sobre uma condição de saúde, procedimento ou tratamento médico.

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