A Apneia do Sono Não tem Idade

"Antes do tratamento: Cansaço. Hoje em dia: Energia."

Aos 45 anos, Gonçalo recebeu um diagnóstico que não esperava: apneia do sono. Embora o seu pai já sofresse do mesmo problema, o Gonçalo confessa: "nunca pensei que eu tivesse".

A sua profissão como motorista tornava os sintomas ainda mais desafiantes. Passava os dias a lutar contra o sono, dores de cabeça e mau humor. "Acordava sempre com má vontade de começar o dia", recorda. "O cansaço era tanto que, ao chegar a casa, a única coisa que conseguia fazer era deixar-se dormir, sem energia para aproveitar o tempo em família."

Mas o impacto ia muito além do seu próprio cansaço; a apneia estava a afetar profundamente a dinâmica do casal. Durante a noite, a pessoa mais afetada era a sua esposa. "A minha mulher assustava-se imenso. Dizia que eu ressonava muito alto e que, de repente, parava de respirar e me engasgava. Ela ficava em pânico a meio da noite a achar que eu ia sufocar", conta o Gonçalo.

"Eu chegava do trabalho tão de rastos que só queria fechar os olhos. Não tínhamos energia para nada"

Esta preocupação constante, aliada ao barulho ensurdecedor do ressonar, começou a desgastar a relação. A falta de descanso da esposa gerava frustração e noites mal dormidas para ambos. Para conseguir pregar olho, ela via-se muitas vezes obrigada a recorrer a tampões nos ouvidos ou acabava mesmo por mudar-se para o sofá a meio da noite. "Havia noites em que ela simplesmente pegava na almofada e ia dormir para a sala porque não aguentava o barulho", confessa o Gonçalo. E o distanciamento físico durante a noite prolongava-se durante o dia: "Eu chegava do trabalho tão de rastos que só queria fechar os olhos. Não tínhamos energia para nada". Foi perante este cenário de desgaste diário, e temendo pela saúde do marido, que a sua esposa tomou a iniciativa e marcou a consulta médica.

O início do tratamento com a máquina (CPAP) trouxe os seus próprios desafios. O primeiro pensamento do Gonçalo foi honesto e direto: "estou lixado, vai ser complicado". Nas primeiras noites, chegou a acordar sem a máscara, tirando-a durante o sono. No entanto, a persistência deu frutos. Como o próprio conta: "Julgo que numa semana, uma semana e pouco, adaptei-me à máscara e comecei a dormir as noites inteiras sem a tirar. Até pensei que ia ser pior".

Hoje, quando lhe pedem para descrever a sua vida antes do tratamento numa só palavra, escolhe "cansaço". Para a sua vida agora, a palavra é "energia".

Com o cérebro finalmente a receber o oxigénio de que precisa durante a noite, o Gonçalo transformou a sua rotina. Voltou a ter vontade de ir ao ginásio, de passear e de brincar com o filho “tenho vontade de ir passear, tenho vontade de brincar com o meu filho, estou uma pessoa totalmente diferente” . O seu conselho para quem está a passar pelo mesmo e tem receio do tratamento é claro:

"Não tenham medo, vão em frente. Não desistam (...) não há que ter medo do equipamento há que utilizar o equipamento porque começam a ter uma vida espetacular”

Para mais informação sobre apneia do sono e o seu tratamento, visite Viver com Apneia do Sono e Tratamento com CPAP.